sábado, 19 de dezembro de 2015

FATORES INTRÍNSECOS DO CUSTO ENERGÉTICO DA LOCOMOÇÃO DURANTE A NATAÇÃO


O artigo de revisão inicia com um termo que será utilizado até o final do artigo, o termo de custo energético da locomoção como a quantidade de energia metabólica gasto para transportar a massa corporal do sujeito de uma distância, aplicando a natação, ela se identifica como custo de nado (Cn). Esses custos energéticos são diferenciados de indivíduos para indivíduos por dois fatores a resistência hidrodinâmica e habilidade técnica do nadador.  

Uma das principais forças a ser abatida é a resistência da água durante a locomoção aquática. A resistência da água e maior do que a do ar, assim fazendo com que recrutamos mais energia para a ação da locomoção, durante a natação os impulsos devem ser lançados contra a água, dificultando mais a produção do movimento, diferente ocorre quando aplicamos a força no solo para gerar a locomoção, como andar, saltar entre outros fatores que gerem um deslocamento. O maior desempenho na natação é conseguido quando é aplicada a potência máxima (aeróbica e anaeróbica) e a economia de locomoção do atleta. Foram utilizados alguns procedimentos para obter as medidas dos gastos energéticos, de forma indireta foi utilizado o VO2 máx. para a obtenção de consumo de oxigênio para estimar o gasto energético pós exercício.

O artigo traz como fundamentação alguns efeitos como os de gênero, onde as mulheres são mais econômicas que os nadadores isso é favorecido pela quantidade de gordura corporal, peso dos ossos e dos músculos, ou seja, quando menos gordura e peso corporal, maior a eficiência pois terá que utilizar muita energia para o nado. Outro feito é a idade, crianças possuem vantagens em flutuar com torque passivo do que os adultos, efeitos do nível de performance e especialidade, onde os adultos se sobressaem com a vantagem de experiência e habilidades técnicas, efeitos dos diferentes tipos de nado, onde o mais econômico é o craw e depois o nado costas, independentemente da velocidade que ele é nadado, borboleta e peito como o menos econômico dos nados.

O artigo conclui que os fatores que interferem nos custos dos nados são: idade, habilidades técnicas do nado, gênero e seu estilo de nado, onde as mulheres apresentam menor custo de nado, e as crianças como maior custo de nado pela a falta de habilidades técnicas de nado que estão prestes a ser desenvolvidas e por fim o estilo mais econômico apontado segundo pesquisa é o craw e costas, e menos econômico é o peito e borboleta por ser mais complexos tecnicamente quanto fisicamente.

 
Referências:

Fabrizio Caputo; Mariana Fernandes Mendes de Oliveira; Benedito Sérgio Denadai; Camila Coelho Greco. Fatores intrínsecos do custo energético da locomoção durante a natação. Rev Bras Med Esporte v.12 n.6 Niterói nov./dez. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922006000600019&lng=pt&nrm=iso&tlng=pthttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922006000600019

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

GASTO ENERGETICO DE REPOUSO MEDIDO VS. ESTIMADO E RELAÇÃO COM A COMPOSIÇÃO CORPORAL DE MULHERES

A duas maneiras que podemos estimar o gasto energético, podem ser eles, direto ou indireto. Quando direta, a trocas de calor entre o meio externo e o organismo, já na forma indireta é analisada através do consumo de O2 e CO2 (oxigênio e gás carbônico). O artigo traz como objetivo de estudo a comparação de diferentes tempos da coleta de dados e seleção de pontos calorimetria indireta ao resultante do uso de equações de estimativas utilizadas nas literaturas, estabelecer por regressão linear equações de predição do gasto energético de repouso e comparar a melhor delas ao medido pela calorimetria indireta e pelas outras equações da literatura, verificar a correlação entre as equações de estimativas ao medido pela calorimetria indireta e verificar quais variáveis antropométricas seriam melhor relacionadas ao gasto energético de repouso.



MATERIAIS E METÓDOS 


Um número de 28 mulheres sedentárias da normalidade obesidade foram voluntarias para a pesquisa onde foram avaliados a massa corporal, medidas das pregas cutâneas. Os cálculos de massa corporal foram medidos através da formula de Siri. As voluntarias chegaram em laboratórios com jejum de 12 horas, com repousos de 30 minutos tanto sentada quanto deitadas, após mediram a calorimetria por mais 30 minutos. O gasto energético foi calculado por equações desenvolvidas para mulheres. 

RESULTADOS 


Diferentes tempos de coleta produziram resultados similares para o GER medido. O GER estimado pelas fórmulas de Harris & Benedict, FAO/WHO/UNO somente peso e peso mais altura, Schofield e GERNosso foram estatisticamente iguais ao GER medido. As equações do Siervo & Falconi, Schofield e Henry & Rees não foram correlacionadas ao GER medido. O melhor preditor isolado do gasto energetico foi a massa corporal e a melhor associação quando ajustado por unidade (kg) foi a massa magra. A equação desenvolvida no presente trabalho foi: Gasto energético de repouso (kcal/d)= 21837 – 14,448 ; Peso(kg) + 54,963 ; Massa Magra(kg) – 9,341; Estatura(cm) – 4,349, Idade(anos) – 19753; Densidade Corporal(g/ml).


REFERÊNCIAS 

Carlos A. Fett Waléria C.R. Fett Julio S. Marchini; Gasto Energético de Repouso Medido vs. Estimado e Relação com a Composição Corporal de Mulheres; Arq Bras Endocrinol Metab vol 50 nº 6 Dezembro 2006 .





domingo, 6 de dezembro de 2015

ESTIMATIVA DO GASTO ENÉRGETICO DA CAMINHADA



A atividade física cada vez mais vem crescendo com o objetivo de prevenção e uma melhoria no bem-estar e na saúde das pessoas as quais praticam, resultando em melhorias funcionais do organismo, psicológicas, educativas entre outros fatores. Deve-se ressaltar dentre os fatores citados, a prevenção e tratamento da obesidade (acumulo de tecido adiposo no corpo).

O artigo aponta a caminhada como um exercício muito popular e muito utilizada treinos para a redução de peso ou o controle do mesmo. A quantidade de energia gasto durante a atividade vai depender da intensidade do exercício onde será prescrita por um Educador Físico, onde o gasto energético será medido por calorimetria indireta pela medida do consumo de oxigênio. O estudo deste artigo tem como objetivos: Desenvolvimento de equação de predição do GEC (gasto energético da caminhada) em indivíduos jovens e a Avaliação da estimativa do GEC feita pelo o monitor de FC Polar também para indivíduos jovens. Para o primeiro objetivo foram analisadas três situações: 1- quando é possível a identificação da velocidade; 2- quando é possível a monitorização da frequência cardíaca; 3- quando não é possível nem a identificação da velocidade nem a monitorização da frequência cardíaca.   

METODOLOGIA


Foram analisados 30 adultos jovens, não atletas, sendo 16 homens e 14 mulheres e todos alunos do curso de educação física. Todos eles praticaram uma caminhada na esteira ergométrica com 1% de inclinação nas intensidades leve, moderada e alta com 6 minutos para cada intensidade. VO2 medido pelo analisador metabólico Teem 100 da Aerosport, a frequência cardíaca e o gasto energético da caminhada estimado pelo analisador monitor de 2 últimos minutos de cada intensidade. 

RESULTADOS


Todos os indivíduos eram jovens com percentual de gordura dentro de limites normais e com nível de atividade física de 4,0 ± 2,0 para homens e 4,8 ± 2,2 para as mulheres em uma escala. O monitor estima o gasto energético apenas para FC superiores 100bmp, o GEC não pode ser estimado para todos os indivíduos das amostras em todas as intensidades, principalmente as mais baixas. As comparações nas intensidades leve e moderada (principalmente a leve em que foi possível ser analisadas em 9 indivíduos- todo sexo feminino) ficaram prejudicadas, pois foram feitas com números de sujeitos menores, onde não atingiram a FC mínima de 100bmp. As equações de predição do gasto energético da caminhada foram divididas em quatro blocos: 1) equações em que se utiliza a velocidade de caminhada; 2) equação em que se utiliza a FC; 3) equações em que se utiliza a percepção da intensidade do esforço; e 4) com utilização de todas as variáveis do estudo. Nos quatro blocos, as equações foram ordenadas da mais simples (menor número de variáveis) até a mais complexa (maior número de variáveis), conforme resultados decorrentes do processo de regressão múltipla com inclusão progressiva (forward stepwise). Não houve um resultado significante quando a á intensidade do exercicio foi leve ou moderada onde a FC passaria de 100bmp, mais sua precisão é melhor em caminhadas de altas intensidade onde a FC era de 130bmp a 150bmp nos adultos jovens.



REFERÊNCIAS 

Leandro Nogueira Dutra1, Vinicius Oliveira Damasceno1,2,3, André Calil Silva1, Jeferson Macedo Vianna1, José Marques Novo Junior1 e Jorge Roberto Perrout Lima . Estimativa do gasto energético da caminhada. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 13, Nº 5 – Set/Out, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbme/v13n5/08.pdf

domingo, 29 de novembro de 2015

GASTO ENERGÉTICO ENTRE CRIANÇAS DE ESCOLA PÚBLICA OBESAS E NÃO OBESAS



Artigo publicado pela a Revista Brasileira de Ciência e movimento, Julho de 2002.

A obesidade se tornou mais presente nos dias de hoje, com o avanço tecnológico e uma nova forma de vida, as crianças estão deixando um pouco de lado o brincar de forma onde havia uma movimentação corporal maior, para trocar por apenas movimentos das mãos (para usos de aparelhos eletrônicos) ou alguma parte do corpo sem haver o movimento em conjunto de vários grupos maiores de musculatura resultando em uma ação maior. A atividade física diária, reduz a possibilidade de números maiores de pessoas obesas, trazendo melhoria na saúde e bem-estar do ser, diminuindo os riscos de doenças como cardíacas, respiratórias, entre outras.

O Objetivo do artigo é compara o gasto energético de crianças do 3º e 4º ano, obesas e não obesas de ambos os sexos, das escolas públicas estaduais dos bairros Jardim Aeroporto, sub-distrito de Jabaquara da cidade de São Paulo. Na metodologia foi aplicada uma pesquisa com 26 crianças, calculando o IMC (índice de massa corporal) para a avaliação nutricional e para saber a estimativa do gasto energético durante a atividade física, foram utilizados sensores de movimentos uni-axiais (CSA) em dias de semana e finais de semana, com variação de 4 a 7 semanas.

Os resultados mostram através dos sensores que as crianças fazem atividades físicas de intensidade leve durante várias vezes durante ao dia e vigorosas ou moderadas poucas vezes, então conclui-se que as crianças mais obesas o gasto energético é superior das não obesas. Não foram significantes estatisticamente as diferenças de gasto energético das variáveis de idade e sexo entre as crianças. Conclui-se que crianças obesas possuem maior gasto energético em pouco tempo (minutos) de atividade em relação as crianças obesas com melhor desempenho de atividade as crianças não obesas, em ambos grupos a atividade física predominante possuíam apenas uma intensidade leve resultando em baixo gasto energético. Foi notória a falta de estímulos para favorecer o maior gasto energético das crianças de ensino público.


Referência:

Bracco, M.M, Ferreira, M.B.R, Morcillo, A. M.,Colugnati, F. e Jenovesi. Gasto Energético entre crianças de escola pública obesas e não obesas. Rev. Bras. Ciên. e Mov, 10(3): 29-35, 2002. Disponível em: http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/460/485  . Acesso em 27 de novembro de 2015.

domingo, 22 de novembro de 2015

METABOLISMO DE REPOUSO DE MULHERES PÓS-MENOPAUSA SUBMETIDAS Á PROGRAMA DE TREINAMENTO COM PESOS (HIPERTROFIA)

Artigo publicado em maio de 2007 pela Revista Brasileira de Medicina do Esporte, o mesmo tem como objetivo avaliar o gasto energético de repouso (GER) de mulher pós-menopausa submetidas a treinamento com pesos. Onde foram avaliadas 30 mulheres entre 45 a 70 anos de idade. Modificações fisiológicas ocorrem nas mulheres nesse período, diminuição representativa dos hormônios sexuais femininos, aumento do tecido adiposo, redução da massa muscular magra, diminuição do gasto energético de repouso, entre outros fatores. Vários estudos aplicam a importância do treinamento com pesos em programas de condicionamento físico, o exercício incluído de fortalecimento muscular onde tem por finalidade minimizar os riscos e até reverter as perdas ocorridas pelo o envelhecimento.

Metodologia

Avalição de 30 mulheres entre 45 a 70 anos de idade com mais de um ano de interrupção menstrual (FSH acima de 40mlU) sedentárias. Todas passaram por uma triagem medica para a verificação dos critérios de avaliação. Foram excluídas mulheres com reposição hormonal, usos de drogas, e pessoas ativas que utilizavam suplementos alimentares, não houve nenhum tipo de dieta prescrita, onde as mulheres teriam que manter seu habito alimentar. Foram divididas em dois grupos, as de controle (GC) e as de treinamento (GT).
Treinamento com pesos orientados por professores de educação física durante um período de 16 semanas, o treino foi aplicado de forma progressiva até atingir três series de 8-12 repetições máximas de 60 a 80% mantendo a relação entre intensidade versus volume. Foram realizados 10 exercícios para grupos musculares diferentes (peitorais, costas, coxa, bíceps e tríceps) e abdominais com 3 series de 30 repetições. Intervalos de 2 minutos e com respiração controlada durante o exercício com o objetivo de evitar apneia.
Foi avaliada a massa corporal em Kg utilizando a balança antropométrica tipo plataforma, avaliação hormonal do hormônio FSH, avaliação do gasto energético de repouso.

Resultados

Nenhuma diferença estatisticamente significante foi encontrada no grupo no início do treinamento (p> 0,05) foi encontrado na comparação entre os grupos no momento inicial do estudo, apontando a homogeneidade. Todas as mulheres foram classificadas com sobrepeso e tecido adiposo na área abdominal em excesso e seus hormônios FSH acima de 40mlU. Após o treinamento foram encontrados resultados significativos para as variáveis (p maior ou igual a 0,05), massa corporal (1,8kg, correspondente a 2,6%) massa muscular (2,0 kg, correspondente a 10,6%) para o grupo de treinamento (GT).

Conclusão


Mulheres em menopausa quando são submetidas a treinamentos com pesos, mostram modificações nas composições corporais relacionados a massa magra, aumentando o gasto energético de repouso, sugere-se então treinamentos com pesos para mulheres na menopausa com o objetivo de reverter ou atenuar os efeitos da menopausa no organismo feminino, resgatando habilidade funcionais entre outros fatores físicos e hormonais. 


Referências

Beaufrere B, Morio B. Fat and protein redistribution with aging: metabolic considerations. Eur J Clin Nutr. 2000;54:S48-53.
http://www.scielo.br/pdf/rbme/v13n2/13.pdf
Fitts RH. Effects of regular exercise training on skeletal muscle contractile function. Am J Phys Med Rehabil. 2003;82:320-31.
Poehlman ET, Toth MJ, Gardner AW. Changes in energy balance and body composition at menopause: a controlled longitudinal study. Ann Intern Med. 1995; 123:673
Ceddia RB. 
Composição corporal, taxa metabólica e exercício. Rev Bras Fisiol Exercício. 2002;1:143-56. 6. Silva RB, Costa-Paiva L, Neto AMP, Braga AAB, Morais SS. 
Atividade física habitual e risco cardiovascular na pós-menopausa. Rev Assoc Med Bras. 2006;52(4): 242-6. 7. 
Foster-Burns SB. Sarcopenia and decreased muscle strength in the elderly woman: resistance training as a safe and effective intervention. J Women Aging. 1999;11:75-85. 
 Kraemer WJ, Fry AC. Strength training: development and evaluation of methodology. In: Maud PJ, Foster C, editors. Physiological assessment of human fitness.
 Champaign IL: Human Kinetics Books, 1995;115-38. 9. American College of Sports Medicine. Position Stand. Progression models in resistance training for healthy adults. Med Sci Sports Exerc. 2002;364-80. 
 Gordon CC, Chumlea WC, Roche AF. Stature, recumbent length, weight. In: Lohman TG et al, editors. Anthropometric standartion reference manual. Champaingn: Human Kinetics Books, 1988;3-8. 11. World Health Organization. Physical status. 
The use and interpretation of anthropometry. 

domingo, 15 de novembro de 2015

GASTO ENERGÉTICO CORPORAL: CONCEITOS, FORMAS DE AVALIAÇÃO E SUA RELACAO COM A OBESIDADE




A obesidade é causada pela a combinação entre pré- disposição genética e estilo de vida. A inatividade física e alimentação inadequada resultam balanço energético positivo, o que significa em ultima instância aumento do peso corporal. A complexidade da regulação do peso corporal apresenta um dos maiores desafios para o entendimento da etiologia, tratamento a prevenção a obesidade, neste contexto, muitos conhecimentos são necessários, desde a compreensão dos métodos apropriados para a avaliação do balanço energético nos indivíduos, ate as técnicas bioquímicas e moleculares que possam esclarecer os mecanismos específicos.
O total de energia necessária para os seres vivos, ou gasto energético diário, compreende o dispêndio energético basal, necessário para a realização das funções vitais do organismo, o gasto energético da atividade física, que engloba as atividades físicas do cotidiano e o exercício físico, e o efeito térmico do alimento, relaciono com a digestão, a absorção e o metabolismo dos alimentos. Em indivíduos saudáveis, o gasto energético corresponde aproximadamente 60% a 70% do gasto diário, o Efeito térmico dos alimentos entre 5% e15% e o gasto energético da atividade física de 15% a 30%, sendo este ultimo o componente que mais varia entre os indivíduos.

MÉTODOS PARA A AVALIAÇÃO DO GASTO ENERGETICO

Calorimetria direta
Requer uma câmara altamente sofisticada, que permite a medida do calor sensível liberado pelo organismo, além do vapor de água liberada pela a respiração e pele a pele. Para a avaliação do gasto energético diário o avaliado deve permanecer na câmara por período igual ou superior a 24 horas.

Calorimetria indireta
Esse método mensura o gasto energético da análise do oxigênio consumido (VO2), do gás carbônico produzido (VCO2) e ainda, do quociente respiratório (QR=VO2/VCO2) apontando assim a quantidade de energia necessária para a realização dos processos metabólicos.
A determinação do gasto energético por calorimetria indireta necessita que a medida seja feita durante o período de sono do avaliado, pela a dificuldade de se medir o individuo nessa situação, grande parte dos estudos utilizam a medida do gasto energético de repouso, que é feito geralmente pela a manha com o individuo deitado, porém acordado.

Avaliação do gasto energético com base no consumo alimentar

Durante muitos anos, a determinação do gasto energético dos indivíduos foi feito com base naquilo que era ingerido pela a dieta. Considerava-se que se o individuo estivesse com o peso e a composição corporal adequados, realizando todas as atividades diárias de maneira satisfatória, a medida de sua ingestão habitual fornecera uma noção de seu gasto energético. Entretanto, a avaliação da avaliação alimentar está sujeita a grande gama de erros tanto nos relatos quanto nos cálculos do valor energético do alimento. Além disso, a regulação da energia pelo o homem não pode ser considerada um processo perfeito, sendo sujeita a grandes flutuações.

RELAÇÃO ENTRE GASTO ENERGETICO E OBESIDADE

Vários estudos mostram que animais, quando sujeitos a períodos de restrição alimentar, aumentam sua capacidade de armazenar nutrientes, melhorando sua eficiência metabólica. Em humanos, a existência desse possível sistema  de auto-regulação poderia ser explicado pelo período em que homens necessitavam caçar  seu próprio alimento, estando, portanto relacionado  a sobrevivência. Por outro lado, a manutenção de um balanço energético positivo cronicamente, resultado aumento no peso corporal, parece não promover aumentos proporcionais do gasto energético. Isso sugere que nosso organismo é programado para proteger-se mais intensamente contra a perda do que contra o peso corporal. Não se compreende ao certo porque a maioria dos obesos não consegue perder peso e, quando o perde, acabam por retomar seu peso anterior. Um dos fatores preocupantes nesse contexto é que a diminuição do gasto energético nos períodos de restrição alimentar possivelmente se mantém mesmo após o retorno da ingestão energética habitual.
O curso das investigações sobre gasto energético diminuído na obesidade aponta para duas possibilidades: obesos naturalmente têm seu gasto energético diminuído e indivíduos obesos que foram submetidos, em diferentes períodos da vida, a restrições alimentares, ajustam seu gasto energético e se tornam mais econômicos. Major e Cols chamam este fenômeno de termogênese adaptativa.
Considerando a primeira possibilidade, por muito tempo se acreditou que indivíduos obesos tivessem um gasto energético menor do que não obesos. Alguns estudos inicias, como o de Kenn e Cols e Braitman e Cols, analisaram o consumo energético por meio de diários alimentares e mostraram que este era menor em indivíduos com maior adiposidade, relacionando, portanto, a obesidade a redução do gasto energético.
O que se pode observar, com base nas diferentes, desses estudos, é que existe grande variabilidade individual a esses ajustes metabólicos, o que torna bastante difícil a explicação para eles.

Tentando solucionar as dificuldades de se interpretar o gasto energético por técnicas clássicas, vários autores têm buscado explicações moleculares para a existência da termogênese adaptativa ou, ainda, para avaliar a possibilidade de indivíduos obesos diminuírem naturalmente seu gasto de energia. 


Referências:

domingo, 8 de novembro de 2015

ARTIGO: INFLUÊNCIA DA PROTEÍNA DA SOJA E DOS EXERCÍCIOS COM PESOS SOBRE O GASTO ENERGÉTICO DE REPOUSO DE MULHERES NA PÓS-MENOPAUSA

 




  Várias modificações fisiológicas ocorrem nas mulheres durante o envelhecimento e acentuam-se com a menopausa. As principais são: a diminuição representativa da concentração de estrógeno - os hormônios sexuais femininos, o aumento da adiposidade, a redução da massa muscular e a diminuição do gasto energético de repouso. Como consequência, há redução da mobilidade, do equilíbrio e o aumento do risco de quedas, diminuindo a qualidade de vida com o avançar da idade. Por outro lado, vários estudos têm evidenciando a importância dos exercícios físicos, por estimular o aumento da massa magra, que eleva o gasto energético de repouso. Além dos exercícios, vários autores atribuem benefícios às mulheres que ingerem soja e/ou seus componentes, entre eles a proteína e os fitoestrógenos (isoflavonas).

  As isoflavonas que são compostos fenólicos, estrutural e funcionalmente semelhantes ao estrógeno produzido pelos mamíferos, são alternativas para reposição hormonal. Na pós-menopausa, quando a concentração do estrógeno corporal diminui em média 60%, os receptores ficam mais disponíveis, favorecendo a ação das isoflavonas, que acabam compensando a deficiência do hormônio humano.


RESUMO DO ARTIGO CITADO ACIMA



            Artigo publica no ano de 2010 pela Revista da Associação Medica Brasileira, tem como objetivo analisar a influência alimentar da proteína da soja, enriquecida com isoflavonas e dos exercícios com peso sobre o gasto energético de repouso de mulheres na pós-menopausa. Foi realizado um ensaio clínico, prospectivo, longitudinal, controlado, casualizado e duplo-cego desenvolvido em três etapas: antes, durante e após a intervenção com proteína da soja e exercícios com pesos. Esse ensaio teve duração de 16 semanas, envolvendo 60 mulheres com idade de 36 a 71 anos que se enquadraram nesses critérios: estar na pós-menopausa, com confirmação do/a ginecologista; ausência de exercícios físicos nos últimos três meses; ausência de terapia de reposição hormonal e de doença osteomuscular.
            As mulheres foram distribuídas em quatro grupos: G1 (proteína da soja e exercício), G2 (placebo e exercício), G3 (proteína da soja e sem exercício)
e G4 (placebo e sem exercício). A proteína da soja e o placebo (maltodextrina) foram distribuídos, aleatoriamente, sob a forma de pó, na porção de 25 gramas/dia. Foram 10 exercícios com pesos, realizados em três sessões semanais, com 3 séries de 8-12 repetições cada, carga de 60%-80% de uma repetição máxima (RM). O gasto energético de repouso (GER) foi calculado a partir do O2 e CO2, obtidos por calorimetria indireta no equipamento da (Quinton-QMC®), durante 30 minutos, sob temperatura e umidade controladas. Na análise estatística foi utilizada ANOVA, teste T de Student e regressão múltipla, por meio do software Stata 9.2, α<0,05.

            Os resultados obtidos nos testes comparando os grupos, de todas as variáveis do momento inicial do estudo, evidenciou homogeneidade entre eles.
Entretanto, as mulheres caracterizaram-se por excesso de massa corporal, (IMC≥25 kg/m2), quantidade limítrofe de massa muscular (≤28% de MM),
sub-relato do VCT e tendência de ingestão protéica em excesso.
Quanto à intervenção, na comparação da variação percentual do GER entre os grupos, observou-se diferença estatisticamente significante (p<0,05) entre G1 (aumento de 17%) e G4 (redução de 4%). O G2, apesar de não ter se diferenciado dos outros grupos, teve aumento de 9%. Enquanto, o G4 teve diminuição em 4% (p<0,05).
Portanto, exercícios com pesos são determinantes para o aumento do gasto energético de repouso,
de mulheres na pós-menopausa, podendo ser potencializado pela ingestão de proteína da soja enriquecida com isoflavona.





Referências Bibliográficas
Mara Cléia Trevisan1*, José Maria Pacheco de Souza2, Maria de Fátim a Nunes Marucci 3
Trabalho realizado na Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, SP
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922007000200013

domingo, 1 de novembro de 2015

ARTIGO: O CONSUMO AERÓBICO E O GASTO ENERGÉTICO DURANTE O BODYPUMP


BODYPUMP: Nascido em Auckland, Nova Zelândia por Phillips Millis e um grupo de coreógrafos em 1990, com o objetivo de atrair os homens da musculação para dentro das salas de atividades aeróbicas. É um programa de treinamento com sobrecarga com exercícios coreografados e de alta repetição, onde á utilização de barras e anilhas que proporciona um condicionamento físico, ganho de força e definição muscular. Em um aula de BODYPUMP possui um gasto energético em media de 500 calorias, o mesmo proporciona uma rápida queima de gordura e de baixo grau de impacto. Esse exercício não promovem uma hipertrofia dos músculos mas tem como objetivo a tonificação dos mesmos, um bom condicionamento anaeróbico, aumento na densidade óssea, aumento no metabolismo, melhoria cardiovascular.



RESUMO DO ARTIGO CITADO ACIMA  



Traduzido para o português e publicado no ano de 2003 pelo Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte, tem como o objetivo determinar a intensidade do trabalho aeróbico e qualificar a composição corporal e o gasto calórico durante o BODYPUMP.  Exercício físico com baixa intensidade é prescrito por médicos para a perda de massa gorda, porque a gordura e o fluente de combustível principal para exercícios de baixa intensidade e o mesmo utiliza o sistema anaeróbico como fonte de energia. A metodologia aplicada no artigo foi um acompanhamento avaliativo de 10 indivíduos ( 5 mulheres e 5 homens) adultos frequentantes de academia, onde os mesmos conhecia o Bodypump e havia praticado pelo menos  uma vez por semana em um período de quatro anos. Os procedimentos foram analisados em 60 minutos de ciclismo e e teste de VO2 máx. a escolha da comparação de bodypump e o ciclismo era proporcionar uma comparação entre as duas modalidades sendo o ciclismo como o exercido tradicional em academias. Os dados foram coletados por um calorímetro indireto, os indivíduos respiravam atrás de um equipamento chamado Hans Rudolph, two-way, non-rebreathing valve (Kansas city, MO). Os dados foram coletados as modalidades com um tempo estimado de uma hora, com a precisa do profissional para instruir os indivíduos. Os resultados obtidos nos testes foram que a medida do consumo de oxigênio durante as sessões de bodypump foi de 20,2mlkgmin para todos os indivíduos combinados sendo 21.5ml/kg/min para homens e 19.0ml/kg/min para mulheres e os valores do consumo de oxigênio no ciclismo foram de 28.8, 29.4, 28.2 ml/kg/min para todos os indivíduos, homens e mulheres respectivamente. Resultados comprovam que o ciclismo possui muito mais gasto energético do que o BODYPUMP, o artigo aponta nos resultados que uma aula de bodypump a utilização de 411 calorias para os indivíduos desse estudo, onde foram 483 calorias perdidas nos homens e 339 calorias perdida nas mulheres. Já nos 60 minutos de ciclismo o consumo foi de 27.3% maior comparado ao 16.7% da aula de bodypump, onde não houve diferenças entre homens e mulheres, mas o artigo quis também mostrar que o bodypump por ser uma atividade inovadora onde possui musica para a sua execução se torna muito atraente para aqueles que nunca inciaram uma atividade física. 






Referências bibliográficas: PFITZINGER, P.; LYTHE, J. O consumo aeróbico e o gasto energético durante o Bodypump.Fitness & Performance Journal, v.2, n.2, p. 113-121, 2003.

BODYSYSTEMS, 2011. Disponível em: www.bodysystems.net

AMORIN, P.R.A.; GOMES, T.N.P. Gasto energético na atividade física. Rio de Janeiro: Shape, 2003.


                                   O que é bioenergética?



         Todas as células do corpo humano possuem vias metabólicas para que ocorra a síntese ou degradação das moléculas, assim, as células necessitam de energia biologicamente utilizável vindo dos nutrientes alimentares, por conta disso, esse processo metabólico energético é denominado de bioenergética. Nas atividades físicas, as células musculares esqueléticas devem ser capazes de extrair continuamente energia química dos nutrientes alimentares para que ocorra o deslizamento dos filamentos finos e grossos da miofibrila das fibras musculares. Caso ocorra alguma incapacidade de extração energética, o desempenho da atividade física será limitado.
            Na bioenergética, a transferência de energia na célula ocorre de dois modos; uma exigindo que a energia seja adicionada antes que a reação continue (reações endergônicas) e a outra quando o processo químico libera energia (reações exergônicas).
            As enzimas possuem um papel fundamental na regulação das vias metabólicas das células, onde irá reduzir a energia de ativação necessária para iniciar as reações químicas. As quinases e as desidrogenases são exemplos de enzimas, a primeira adiciona grupo fosfato nos substratos e a segunda remove hidrogênio dos substratos.


       Os principais nutrientes para obtenção de energia.

           

Carboidratos:


            Os carboidratos são compostos por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio encontrados na forma de monossacarídeos (glicose), dissacarídeos e polissacarídeos (exceto a celulose) sendo utilizados como fonte de energia rapidamente disponível. Um grama carboidrato fornece cerca de 4kcal de energia.
            O glicogênio é o termo utilizado para os polissacarídeos estocados nos tecidos animal, onde pode consistir em centenas de milhares de moléculas de glicose. As células estocam glicogênio para suprir carboidratos como fonte energética. O importante do metabolismo do exercício que esse glicogênio seja estocado tanto nas fibras musculares quanto no fígado. No entanto, o estoque total de glicogênio é pequeno e pode ser depletado em pouco tempo em decorrência de um exercício prolongado. Esse processo de conversão do glicogênio em glicose é conhecido por glicogenólise.

Gorduras:



            As gorduras são os combustíveis ideais para exercícios prolongados, pois suas moléculas contem grande quantidade de energia. Um grama de gordura tem cerca de 9 kcal de energia. As gorduras podem ser classificadas em: ácidos graxos, triglicerídeos, fosfolipídios e esteroides.
            Os ácidos graxos são armazenados no corpo como triglicerídeos, três moléculas de ácidos graxos e uma molécula de glicerol, sendo armazenados nas células adiposas, onde também podemos encontrar no músculo esquelético. O glicerol liberado da lipólise (degradação da gordura em ácidos graxos e glicerol) é utilizado no fígado para sintetizar a glicose, assim servindo de fonte energética para os músculos esqueléticos.
            Os fosfolipídios são lipídios que contem ácido fosfórico, possuindo funções estruturais de membrana celular e de bainha isolante tanto como elétrico e térmico das fibras nervosas.
            Os esteroides são lipídeos que esclarecem a natureza biológica das gorduras, possuem funções estruturais de membranas celulares, precursores da síntese de vitamina D e hormônios sexuais.

Proteínas:



         As proteínas são formadas pela união de aminoácidos através das ligações peptídicas. Para que as proteínas sejam utilizadas como fonte energética, o aminoácido alanina pode ser convertido em glicose no fígado, o qual pode ser utilizado para sintetizar o glicogênio, por exemplo.


Fosfatos de alta energia:




          
  A fonte imediata para a contração muscular é composto por fosfato de alta energia, sendo usada para coordenar um grande numero de processos celulares, tais como: produzir proteínas, estocar combustíveis, sintetizar moléculas de ácido ribonucleico e transporte de substância para dentro da célula. A sua estrutura consistem em uma base purina adenina, açúcar ribose e três fosfatos. Essa formação ocorre a partir da combinação da adenina difosfato (ADP) com um fosfato inorgânico (Pi). A energia gerada pelo ATP ocorre quando a ligação do ADP com Pi é quebrada pela enzima ATPase. As células utilizam reações exergônicas (degradação dos nutrientes) para formar o ATP por meio de reações endergônicas.
            As células musculares armazenam quantidades limitadas de ATP, portanto, o músculo requer um suprimento constante de ATP. Essas células musculares podem produzir ATP pela degradação da creatina fosfato, degradação da glicose ou glicogênio ou por uma formação oxidativa do ATP.
            A mais rápida produção de ATP envolve a doação de um grupo fosfato e de sua ligação energética da creatina fosfato para o ADP, formando o ATP, tendo a reação catalisada pela enzima creatina quinase. As células musculares armazenam peguenas quantidades de creatina fosfato, por isso a quantidade de ATP é limitada. Essa combinação de ATP com creatina fosfato é denominada de sistema ATP-CP ou sistema fosfagênio, promovendo energia para contração muscular no inicio do exercício ou em exercício de curta duração e de alta intensidade.
            A glicólise é a segunda via metabólica capaz de produzir ATP rapidamente, envolvendo a degradação da glicose ou glicogênio no sarcoplasma da célula muscular para produzir duas moléculas de acido pirúvico, caso oxigênio não estiver disponível para aceitar hidrogênios que serão utilizados posteriormente na geração de ATP na mitocôndria por processos aeróbicos, a glicólise formara duas moléculas de acido lático ao invés de acido pirúvico.
            A produção aeróbica de ATP ocorre no interior das mitocôndrias e envolve a interação de duas vias metabólicas: o ciclo de Krebs e a cadeia de transporte de elétrons. A principal função do clico de Krebs é o termino da oxidação (remoção dos hidrogênios) dos carboidratos, gorduras ou proteínas com a utilização de moléculas transportadoras de hidrogênio, no caso: NAD (nicotinamida adenina dinucleotideo) e o FAD (flavina adenina dinucleotideo). A importância da remoção dos hidrogênios é que essas moléculas possuem a energia potencial das moléculas dos nutrientes alimentares, essa energia é utilizada para combinar ADP com o Pi para ressinteizar o ATP.
            Na cadeia de transporte de elétrons, a produção aeróbica de ATP é possível por causa de um mecanismos que utiliza a energia potencial nos transportadores de hidrogênio reduzidos: NADH (redução do NAD com dois elétrons) e FADH (redução do FAD com um ou dois elétrons) para refosforilar a ADP em ATP.



Bibliografias:

POWERS, Scott K; HOWLEY, Edward T. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. 3.ed. São Paulo: Manole, 2000.

HOUSTON, Michael E. Princípios de bioquímica para a ciência do exercício. 3. ed. São Paulo: Roca, 2008.

MAUGHAN, Ron; GLEESON, Michael; GREENHAFF, Paul L. Bioquímica do Exercicio e Treinamento. 1.ed. São Paulo: Manole, 2000.