O que é bioenergética?
Todas
as células do corpo humano possuem vias metabólicas para que ocorra a síntese
ou degradação das moléculas, assim, as células necessitam de energia
biologicamente utilizável vindo dos nutrientes alimentares, por conta disso,
esse processo metabólico energético é denominado de bioenergética. Nas
atividades físicas, as células musculares esqueléticas devem ser capazes de
extrair continuamente energia química dos nutrientes alimentares para que
ocorra o deslizamento dos filamentos finos e grossos da miofibrila das fibras
musculares. Caso ocorra alguma incapacidade de extração energética, o
desempenho da atividade física será limitado.
Na
bioenergética, a transferência de energia na célula ocorre de dois modos; uma
exigindo que a energia seja adicionada antes que a reação continue (reações
endergônicas) e a outra quando o processo químico libera energia (reações
exergônicas).
As
enzimas possuem um papel fundamental na regulação das vias metabólicas das
células, onde irá reduzir a energia de ativação necessária para iniciar as
reações químicas. As quinases e as desidrogenases são exemplos de enzimas, a
primeira adiciona grupo fosfato nos substratos e a segunda remove hidrogênio
dos substratos.
Os principais nutrientes para obtenção de energia.
Carboidratos:

Os
carboidratos são compostos por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio encontrados
na forma de monossacarídeos (glicose), dissacarídeos e polissacarídeos (exceto
a celulose) sendo utilizados como fonte de energia rapidamente disponível. Um
grama carboidrato fornece cerca de 4kcal de energia.
O
glicogênio é o termo utilizado para os polissacarídeos estocados nos tecidos
animal, onde pode consistir em centenas de milhares de moléculas de glicose. As
células estocam glicogênio para suprir carboidratos como fonte energética. O
importante do metabolismo do exercício que esse glicogênio seja estocado tanto
nas fibras musculares quanto no fígado. No entanto, o estoque total de
glicogênio é pequeno e pode ser depletado em pouco tempo em decorrência de um
exercício prolongado. Esse processo de conversão do glicogênio em glicose é
conhecido por glicogenólise.
Gorduras:

As
gorduras são os combustíveis ideais para exercícios prolongados, pois suas
moléculas contem grande quantidade de energia. Um grama de gordura tem cerca de
9 kcal de energia. As gorduras podem ser classificadas em: ácidos graxos,
triglicerídeos, fosfolipídios e esteroides.
Os
ácidos graxos são armazenados no corpo como triglicerídeos, três moléculas de
ácidos graxos e uma molécula de glicerol, sendo armazenados nas células
adiposas, onde também podemos encontrar no músculo esquelético. O glicerol
liberado da lipólise (degradação da gordura em ácidos graxos e glicerol) é
utilizado no fígado para sintetizar a glicose, assim servindo de fonte
energética para os músculos esqueléticos.
Os
fosfolipídios são lipídios que contem ácido fosfórico, possuindo funções
estruturais de membrana celular e de bainha isolante tanto como elétrico e
térmico das fibras nervosas.
Os
esteroides são lipídeos que esclarecem a natureza biológica das gorduras,
possuem funções estruturais de membranas celulares, precursores da síntese de
vitamina D e hormônios sexuais.
Proteínas:
As
proteínas são formadas pela união de aminoácidos através das ligações
peptídicas. Para que as proteínas sejam utilizadas como fonte energética, o
aminoácido alanina pode ser convertido em glicose no fígado, o qual pode ser
utilizado para sintetizar o glicogênio, por exemplo.
Fosfatos de alta energia:

A
fonte imediata para a contração muscular é composto por fosfato de alta
energia, sendo usada para coordenar um grande numero de processos celulares,
tais como: produzir proteínas, estocar combustíveis, sintetizar moléculas de
ácido ribonucleico e transporte de substância para dentro da célula. A sua
estrutura consistem em uma base purina adenina, açúcar ribose e três fosfatos.
Essa formação ocorre a partir da combinação da
adenina difosfato (ADP) com um fosfato inorgânico (Pi). A energia gerada pelo
ATP ocorre quando a ligação do ADP com Pi é quebrada pela enzima ATPase. As
células utilizam reações exergônicas (degradação dos nutrientes) para formar o
ATP por meio de reações endergônicas.
As
células musculares armazenam quantidades limitadas de ATP, portanto, o músculo
requer um suprimento constante de ATP. Essas células musculares podem produzir
ATP pela degradação da creatina fosfato, degradação da glicose ou glicogênio ou
por uma formação oxidativa do ATP.
A
mais rápida produção de ATP envolve a doação de um grupo fosfato e de sua
ligação energética da creatina fosfato para o ADP, formando o ATP, tendo a
reação catalisada pela enzima creatina quinase. As células musculares armazenam
peguenas quantidades de creatina fosfato, por isso a quantidade de ATP é
limitada. Essa combinação de ATP com creatina fosfato é denominada de sistema
ATP-CP ou sistema fosfagênio, promovendo energia para contração muscular no
inicio do exercício ou em exercício de curta duração e de alta intensidade.
A
glicólise é a segunda via metabólica capaz de produzir ATP rapidamente,
envolvendo a degradação da glicose ou glicogênio no sarcoplasma da célula
muscular para produzir duas moléculas de acido pirúvico, caso oxigênio não estiver
disponível para aceitar hidrogênios que serão utilizados posteriormente na
geração de ATP na mitocôndria por processos aeróbicos, a glicólise formara duas
moléculas de acido lático ao invés de acido pirúvico.
A
produção aeróbica de ATP ocorre no interior das mitocôndrias e envolve a
interação de duas vias metabólicas: o ciclo de Krebs e a cadeia de transporte
de elétrons. A principal função do clico de Krebs é o termino da oxidação
(remoção dos hidrogênios) dos carboidratos, gorduras ou proteínas com a
utilização de moléculas transportadoras de hidrogênio, no caso: NAD
(nicotinamida adenina dinucleotideo) e o FAD (flavina adenina dinucleotideo). A
importância da remoção dos hidrogênios é que essas moléculas possuem a energia
potencial das moléculas dos nutrientes alimentares, essa energia é utilizada
para combinar ADP com o Pi para ressinteizar o ATP.
Na
cadeia de transporte de elétrons, a produção aeróbica de ATP é possível por
causa de um mecanismos que utiliza a energia potencial nos transportadores de
hidrogênio reduzidos: NADH (redução do NAD com dois elétrons) e FADH (redução
do FAD com um ou dois elétrons) para refosforilar a ADP em ATP.
Bibliografias:
POWERS, Scott K; HOWLEY, Edward T.
Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho.
3.ed. São Paulo: Manole, 2000.
HOUSTON, Michael E. Princípios de
bioquímica para a ciência do exercício. 3. ed. São Paulo: Roca, 2008.
MAUGHAN, Ron; GLEESON, Michael; GREENHAFF,
Paul L. Bioquímica do Exercicio e Treinamento. 1.ed. São Paulo: Manole, 2000.

Nenhum comentário:
Postar um comentário